4 de dezembro de 2013

Amiúde

Você,

Que sente no corpo um peso;

Um desânimo,
A tensão de um dia estressante,
A face marcada por linhas de exaustão,
A pressão do trabalho, das necessidades, da idade, das dívidas, das dúvidas...

Deve, às vezes, pensar na saudosa infância.

Da leveza dos pés,
De brincar com os cães,
E de quase tudo que pudesse.
Do excesso de energia, euforia.
Quando os dias eram longos, não tinham horas,
Nem dias da semana.

Recorda companheiro,

Dos amigos, muitos, de outrora.
Das trapalhadas de criança.
Do riso solto, fácil, maroto.
O que faz-lhe perder o encanto?
O brilho no amanhã...
O tempo passou, 
A responsabilidade lhe sufocou,
Ou o fracasso o alcançou?

Conserva contigo as invencionices de menino,

Que acreditava em voar,
Que podia ser o que desejar.
A vontade de conhecer o mundo inteirinho,
Ser artista, palhaço, polícia, astronauta e cientista,
em um único dia...
Onde ficaram tantos sonhos?
Perderam-se nas gavetas ou nas tarefas rotineiras?

A alegria, a capacidade de perdoar, relevar,

A disposição para recomeçar...
Recorda amigo,
Que na fragilidade da tua pequenez eras uma fortaleza,
Super-herói, xerife, mocinho, docinho da mamãe.
Agora vês tua juventude se esvaindo, as perspectivas se restringindo.
Se tua alegria e esperança eram maiores que teu corpo,
Qual tamanho elas ocupam em ti hoje?

2 comentários:

Siomara Lúcia Soares disse...

Fernanda,
Linda poesia, parabéns! vê é muito competente, talentosa, esforçada, atenciosa, e amiga do coração. Bjus.
sua fã Siomara Lúcia

Anônimo disse...

Adorei o texto!!
Muito bom!