22 de maio de 2017

Zéfiro

​Meu coração cansado
estava como vento,
que perambula pelo mundo
vai, volta, dá voltas...
é rodopio,
é desassossego.
quando escuto sua voz,
me sinto desacelerar,
o coração virar brisa.
me aproximo
me deixo ficar.
Me envolve com teus braços
e faz o vento cessar.
sem tempestade,
sem medo,
sem pressa,
me aperta contra o peito
silencia meus pensamentos
com o som do teu peito.
No aconchego do enlaço
nos conduz,
num compasso,
numa dança só nossa.
nos passos,
nos esqueçamos do resto
por um instante
só nós

o silêncio
e nada mais.

30 de março de 2017

Sentidos

caminhando,
foi apanhada pela chuva.
sentiu os pingos,
fortes e levemente frios,
em contato com a pele quente,
resultante de uma noite morna,
e das passadas ritmadas.

aquele toque contrastante
causara-lhe espanto.
aquele 'ah'!
que só quem tomou chuva sabe explicar.
sentiu frio,
se entregou aos pingos,
sentiu alegria.

Aquela dos tempos de crianças,
que brincava sob a chuva
e nas águas da sarjeta.

Sentiu a água molhando seus cabelos,
os pingos que caiam em seu rosto,
os que encharcavam suas roupas,
que colavam ao corpo.

Sentiu com as mãos os corpo molhado
a roupa pesada, inerte ao corpo.
numa entrega às águas,
sentiu o contentamento
sentiu a paz
como se água lavasse,
mais que seu corpo,
seus pensamentos e sentimentos.

Pensou que bom não ter nada nas mãos

[não ter que correr]
ter a escuridão da noite
[não ter que se esconder]
a calmaria da rua vazia
só eu e a chuva,
poder se entregar aos pingos
e se deixar lavar.

15 de março de 2017

Passará passarinho?

Passarinho pequenino
com sonho de águia
quis voar alto
mesmo desacreditado
quis o longínquo explorar.

Preparou suas asinhas,
juntou coragem
alçou o voo da jornada
a mais alta
a mais longa
que qualquer outro do bando.

Num desses reveses da vida,
foi apanhado.
Dócil pequenino,
passaria os dias acorrentado.
voava agora limitado;
o permitido,
em torno de sua casinha.
Linda gaiolinha adornada
que dela via o mundo
mas não ia lá fora.
estava seguro,
tinha de tudo,
mas não alçava voo
tanto peso que carregava.

Sem voar, via morrer o sonho de águia
de tristeza foi perdendo as penas.
Esfarrapado deixou de tentar voar,
foi perdendo os sonhos;
e de tanto perder,
e não voar,
parou de cantar.

Passará, passarinho?

1 de março de 2017

Quarta-pedido















Cinzas pó,
pó que fui,
antes que jaz,
[pó que serei],
faz morrer em mim
o que me consome.
reavive em mim o fogo
a esperança.
chama que envolve a alma
incendeia o coração
e o corpo
de dentro para fora.
cinzas fogo
faz ressurgir as asas de outrora
livres e fortes para voar
mente e corpo,
pensamento e movimento,
reavive em mim o sonhar
e o realizar.


30 de setembro de 2016

quando vi o mar

Hoje vi o mar,

era noite clara

com suas luzes refletindo

[lua, estrelas, claridade]

nas ondulações leves

que a água faz.

senti tudo...

a temperatura morna

a brisa refrescante

a roupa esvoaçante.

quando fitava o horizonte

[mar, lua, casas]

a água tocou meus pés.

tirei os sapatos.

me permiti sentir...

os dedos afundarem na areia

a leveza das águas nos pés,

nem frias, nem quente,

enquanto caminhava em direção ao destino que me aguardava.

Da praia só tive isso,

um acalento nos pés e nada mais

na passada apressada de passagem.


Sonhei,

nada mais que isso,

mas senti.

Sonhei com o mar,

e não entrei.

senti apenas sua leveza nos pés.

Senti a força do mar

e acordei.