26 de novembro de 2024



por um tempo que me pareceu demasiadamente longo,
os dias arrastaram-se em um ciclo tristonho.
meses que pareciam infindáveis,
entre dúvidas, médicos, exames, receitas diversas.

engolia remédios de promessas vagas,
com efeitos que apenas trocavam as cargas.
um alívio passageiro, acompanhado de colaterais 
sintomas,
que logo dava espaço à dor já conhecida.

medicamentos e corpo nem sempre se combinam.
com os fios caindo, careci cortar:
cabelos e saltos longos, não mais.
queria apenas os pijamas, e nada mais.
ia tudo arrastado e se arrastando.

fui perdendo os dias,
como areia que escorriam pelas mãos.
ao voltar para casa, 
muitas vezes, as águas desciam,
por razões múltiplas e até confusas.

fui parando... de tudo, com tudo.
trabalhos muitos, não mais.
exposições recusadas, pesquisas caladas,
versos sumidos, palavras paradas.

fui perdendo minhas personas,
e, por vezes, diante do espelho,
nem mesmo minhas fotografias me reconheciam mais.

tempo de travessia, espera e silêncio...

fui

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