Da casa da minha infância,
guardo, todos os dias, uma lembrança.Da janela e da vista da varanda,
as gotas de chuva nas pequenas poças,
o subir e descer do sol
na passagem das estações,
o andar das nuvens e seus desenhos diversos.
Guardo a lembrança das árvores,
das que não existem mais
[como um abacateiro e meu braço quebrado]
das que plantei, podei, reguei...
das plantas, das floradas, das frutas,
e o repetir dos ciclos.
Dos animais também guardo lembrança.
Gostava dos gatos e cachorros
que me faziam companhia,
se aninhavam em meus braços e colo,
esperavam a comida, faziam bagunça
no passar das horas dos dias.
Da casa da minha infância,
todos os dias vejo uma lembrança.
As alegrias embalo como criança,
cultivando-as para multiplicar.
Das tristezas, muitas, lembro também,
mas tento esquecer.
Recordo dos reparos, remendos,
de cada parte, cômodo e entorno.
Alguns feitos por mim,
outros, por muitos outros,
rearranjos.
Na velha casa, que foi crescendo,
cresci também.
Ganhei o mundo, novas histórias.
Aprendi a ser casa também,
querendo abrigar apenas o que me faz bem.
O partir, por vezes, é triste, assustador e belo
Mas o partir, faz parte do caminhar.
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