13 de fevereiro de 2021

Na razão do meu afeto

Pelos filtros do afeto
vi formosura no cabelo bagunçado
e delicadeza no trato.
Nos teus óculos, sempre embaçados,
vi necessidade de cuidado,
em desvelo, limpei-os 
(com as barras da saia mesmo)
vi teus olhos límpidos, 
mas já embaçados pelos meus. 
vi tuas sardas como trilhas
mapas de tesouros a serem descobertos,
vi tanta coisa além,
até o que nunca existiu...

Na razão do meu afeto,
não sou multidão,
sou palco com luz
que teus olhos sempre vêm,
sempre procuram.

Pelos filtros,
quem diria eu, passei a ver tudo embaçado
idealizado e romantizado
pelas razões do meu afeto.


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