3 de abril de 2026

 
Tem coisa que dói no corpo —
uma topada,
uma trombada,
um escorregão.

Tem coisa que dói na alma —
há as que machucam,
deixam marcas fundas,
tão fundas
que, mesmo com o tempo,
ainda se vê o reflexo:
abandonos, rejeições,
violências, abusos.

Marcas fundas
lesionam a alegria
(e instauram a culpa),
a confiança —
em si, nos outros.

Mesmo tampando,
mesmo ocultando,
ela está lá —
meio sombra,
à espreita,
tentando minar a esperança.

A casca fina,
vive se rompendo
e faz sangrar
em uma ou várias frestas.

Difícil lidar —
mas, depois que a gente entende,
fica mais possível
cuidar.

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