trivial é o que se repete,
corriqueiro, passa na banalidade,
quase sem deixar marca.
Algo comum,
corriqueiro,
sem grande importância.
Mas será mesmo
que o comum
é vazio de sentido?
Não creio.
Corriqueiramente
bebo café —
o gesto simples da manhã,
repetido, muitas vezes, ao longo do dia.
E, ainda assim,
mesmo na repetição intensa,
o café não perde
seu encanto
entre as mãos.
Assim também
o pensamento em você.
Insiste, retorna,
até nas improváveis horas
não se esgota no pensar,
não cansa,
não desgosta.
É sede que permanece,
é vontade que não se sacia.
Trivial, talvez,
seja olhar sua fotografia.
Mas nunca é banal
encontrar seus olhos
— guardados
atrás das lentes.