por vezes nasce nos cantos,
das sombras que aprendem a ser luz,
onde a brecha respira,
no gesto percebido
do entremeio —
ou de qualquer meio
que ainda não é palavra.
Memórias não ditas,
memórias queridas —
sempre o querer a querer
[em vigília].
Memórias vividas:
o eternar do instante
[quiçá imaginado].
O pensar se verseja,
ganha forma,
ganha asas,
se cria.
De um canto íntimo do ser,
o verso se faz caminho:
vai — voa,
mora [por um tempo]
em outro corpo sensível,
aquele que lê
e, lendo, sente.