Quando criança,
caí da gangorra.
Me balançava
alegremente,
como se voasse —
livre, leve.
Era espaço aberto,
nuvem e céu,
árvore ao redor,
tanta coisa para ver.
Olhava tudo com avidez,
como se sorvesse
cada cor,
todas as cores,
antes de voltar
ao mundo entre paredes
Então, algo cedeu.
De costas, ao chão,
bati a cabeça nos cacos —
acho que, mesmo dia,
vi estrelas.
Um prego na nuca
fez manchar
meu casaco de flanela,
o preferido,
com balões verdes e azuis.
Vi o vermelho
tingir, gradativamente, o tecido.
gritaram comigo,
mas eu só lamentava
se perderia
os balões verdes e azuis.
Na minha imaginação,
eles voavam,
iam longe —
e eu ia com eles.