Olhando a fotografia,
lembrei-me
daquela criança —
acanhada,
escondida atrás da porta,
com medo do escuro,
com a chuva lá fora
e a luz ausente
ali, no pequeno espaço,
se acolhia —
encolhida,
abraçando a si mesma,
lágrimas inundando-lhe o rosto,
num soluço contido,
quase silêncio,
se acolhia —
encolhida,
abraçando a si mesma,
lágrimas inundando-lhe o rosto,
num soluço contido,
quase silêncio,
à espera
de que a solidão passasse
de que a solidão passasse
passam as horas —
densas —
e o escuro, persistente, adentrava,
ruidoso, insistente,
fazendo do ser morada
como se tivesse garras
ou raízes
como se tivesse garras
ou raízes
criando lastro
por dentro,
no tempo.
por dentro,
no tempo.
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