3 de abril de 2026


Olhando a fotografia,
lembrei-me
daquela criança —

acanhada,
escondida atrás da porta,
com medo do escuro,
com a chuva lá fora
e a luz ausente

ali, no pequeno espaço,
se acolhia —
encolhida,
abraçando a si mesma,
lágrimas inundando-lhe o rosto,
num soluço contido,
quase silêncio,

à espera
de que a solidão passasse

passam as horas —
densas —

e o escuro, persistente, adentrava,
ruidoso, insistente,
fazendo do ser morada
como se tivesse garras
ou raízes

criando lastro
por dentro,
no tempo.

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