18 de março de 2026


Coisas guardadas.
Palavras suspensas.
Sentimentos adiados —
quase vividos, quase inteiros.

Estocamos. Esperamos.
E seguimos.

O tempo, com o tempo,
escorre.
Passa.

E, no silêncio dos dias,
embola memórias,
apaga contornos,
dissolve o possível.

O que não se diz
cria mofo, se perde.
O que não se vive
asfixia o instante —
aperta, comprime.

Vamos nos contendo,
nos desfazendo.
Vamos nos perdendo
daquilo que não ousamos ser.

Somos uma vez na vida
repetidamente,
a cada instante.

Até que o tempo,
sem aviso,
nos atravessa
por inteiro.

E então,
uma vez na vida,
já não existe mais.


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