Palavras suspensas.
Sentimentos adiados —
quase vividos, quase inteiros.
Estocamos. Esperamos.
E seguimos.
O tempo, com o tempo,
escorre.
Passa.
E, no silêncio dos dias,
embola memórias,
apaga contornos,
dissolve o possível.
O que não se diz
cria mofo, se perde.
O que não se vive
asfixia o instante —
aperta, comprime.
Vamos nos contendo,
nos desfazendo.
Vamos nos perdendo
daquilo que não ousamos ser.
Somos uma vez na vida
repetidamente,
a cada instante.
Até que o tempo,
sem aviso,
nos atravessa
por inteiro.
E então,
uma vez na vida,
já não existe mais.
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