12 de março de 2026


Trivialidade

trivial é o que se repete,
corriqueiro, passa na banalidade,
quase sem deixar marca.
Algo comum,
corriqueiro,
sem grande importância.

Mas será mesmo
que o comum
é vazio de sentido?

Não creio.

Corriqueiramente
bebo café —
o gesto simples da manhã,
repetido, muitas vezes, ao longo do dia.

E, ainda assim,
mesmo na repetição intensa,
o café não perde
seu encanto
entre as mãos.

Assim também
o pensamento em você.
Insiste, retorna,
até nas improváveis horas
não se esgota no pensar,
não cansa,
não desgosta.

É sede que permanece,
é vontade que não se sacia.

Trivial, talvez,
seja olhar sua fotografia.

Mas nunca é banal
encontrar seus olhos
— guardados
atrás das lentes.

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