3 de abril de 2026


Escondi todas as dores.
tentei fingir
que não existiam.

Guardei-as bem fundo —
longe da vista,
dos sentidos,
da pele.

Escondi de mim,
mas em mim mesma.

Não queria dizê-las,
mas também não havia
a quem dizê-las.

Agora, preciso lembrar:
achar onde as escondi,
uma a uma,
cada uma delas —

desabrigar,
desacumular,
curar,

ainda que doa,
ainda que demore,

como quem abre janelas
numa casa esquecida,

para, enfim,
habitar — apenas eu —
em mim mesma.

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