31 de julho de 2026


Desde pequena,
a solidão e a solitude me rodeiam.

Na ausência de adultos,
portas trancadas por fora,
aprendi a ser minha própria companhia.

Ambígua sensação.

Liberdade para ver o que quisesse,
mas ninguém para comentar,
                          para apreciar.

Silêncio de gente.
Barulho de mundo.

Comia o que desse,
em qualquer canto, 
   a qualquer hora.

Compartilhava minha porção
com o gato que passava pela janela
ou com o cachorro que por ela me olhava.

Passava o dia guardando palavra.
No encontro, queria libertar todas elas.
Mas não dava.
Pessoas cansadas não são dadas à escuta.

As ausências foram fazendo morada...

Entre a solidão e a solitude,
permaneço.

A infância passa,
mas, por vezes,
parece que não sai da gente.


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