6 de abril de 2026


É tempo de deixar para trás
toda dor
e sombra.

Percebi:
não sou tímida.

A vida me fez assim
com vontade de não ser vista.

Escondida,
parecia mais seguro.

De preto,
transitando na penumbra,
anônima,
invisível -
proteção

Mas eu era
criança falante,
necessitada de atenção
e afeto.

Falava aos cotovelos,
a quem passasse.

De memória impressionante,
guardava logos, jingles,
nomes,
histórias
encantava os passantes.

Vocabulário vasto,
proximidade mansa,
voz fina, dócil.

De tanto mandarem
que eu me calasse,
fui me encolhendo.

Vieram outras tantas coisas.
Fui ressequindo,
apagando,
fui querendo
deixar de existir.

Transitando na penumbra,
tentando
não sucumbir.

Percebo, em tempo:
não posso
seguir assim.

É tempo de deixar para trás
toda dor
e sombra.

Na penumbra,
na invisibilidade,
não posso
ser quem sou.

e algo em mim
pede ar.


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